domingo, 3 de janeiro de 2010

Comer: da arte de dizer a comida ao fato de fazê-la ser além da comida; verbo

Colherei o grão da minha angústia
Plantarei árvores de abismos
Raízes distantes em tempo espaço e discursos
Mastigarei-as
Em danças caóticas de peiote e
Explodirei meu corpo em tantos e vários outros
Grãos.

E em cada vão.
Em cada frincha, fresta
Produzir a festa da não-razão
E os loucos todos convidar

A grande festa do meu devaneio; nosso
No fosso raso da minha verve
Redigir em palavra ilegível
Em gramática do delírio
Todo pergaminho que se perde
Na impossibilidade da língua

Com a língua
Lamber salivante a régia flor
Das certezas claras
Lambuzar os corpos
Exatos e enxutos de todo discurso hermético

Herético, dançar nos altares a ingenuidade da história
Beber todos os líquidos sagrados
Devorar na carne toda a carne sacra
Todas as páginas místicas
Palavra por palavra

Pantagruel empanturrado; Artaud explodindo
Corpo e loucura, mente e moral
E alterar o verbo e a verve
O fluxo e o curso
De qualquer, breve
E profundo pensar.


Ronie Von Rosa Martins

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